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Quinta-feira, 07 DE Junho DE 2012

Os bancos do Parque.

“Ai se os bancos do Parque falassem ...”

E como canta Fernando Pereira:

“… aos domingos os namorados,

vão para os bancos do jardim

e assentados, …tralilalarila lalá “ …

   

As histórias do parque da Cidade estão escritas nos seus bancos.

Como na grande maioria dos Parques e Jardins, os bancos do Parque tinham o formato de “onda do mar a caminho da praia”, com uma estrutura em ferro onde assentavam umas ripas de madeira pintada. Bancos cómodos, frescos e de longa duração.

Na generalidade todos os caminhos do Parque tinham bancos para as pessoas se sentarem. Consoante as zonas do Parque, as estações do ano (só Primavera e Verão), os dias da semana e a meteorologia, os bancos eram usados por sectores diversificados de pessoas.

   

O Parque dispunha de 6 entradas directas: a 1 e 2 na avenida do Liceu, a 3 na Miguel Bombarda, a 4 no Rossio ao lado do Tribunal, a 5 junto ao arranha céus e a 6 ao cimo da avenida Salazar.

Regra geral as famílias, os avós com netos, as criadas com as criancinhas, utilizavam os bancos situados nos caminhos mais movimentados.

Aos domingos os bancos situados no caminho paralelo à Rua Miguel Bombarda eram os preferidos pelos típicos namorados da época, “a sopeira e o magala” que ali descansavam após algumas caminhadas “à vista”. Estes eram os primeiros assentos já que, à medida que o namoro avançava, a respiração tanto ofegava que começavam a ter de descansar no banco junto ao Camões, seguramente atraídos pela idílica inspiração e o maior sossego.

Os estudantes tinham uma clara preferência pela proximidade do Liceu.
Os namorados do Quadro de Honra, aqueles tão bem comportadinhos que até os Pais sabiam, para não perderem
nenhuma matéria, passeavam lado a lado juntinho ao muro do Liceu. Para trás e para a frente lá andavam sem cansar a discutir todas as matérias ensinadas na semana.
Os outros, os normais, também respeitavam o apelo didáctico da escola, é certo, mas preferiam os bancos e os recantos do caminho do Parque paralelo à Avenida do Liceu. Aí sim, era estudo a sério sem dar nas vistas …

O meu 1º banco no Parque.

Terá sido em Setembro de 1963, por mero acaso, a minha estreia num banco do Parque da Cidade.

Era um banco apetecível, com muita procura mas no período de férias tinha pouca utilização. Entrava-se pela entrada 2 e logo no primeiro cruzamento virava-se à direita tomando o caminho paralelo ao Liceu. Era o primeiro banco que ficava encoberto por um
bonito tronco de uma frondosa árvore, seguramente ali plantada por mão de Deus, pois a sua localização era Divina. Ao sentar, era muito conveniente dar a esquerda ao par o que possibilitava olhar o movimento dos caminhos ao redor.

Numa tarde daquele fim de Verão, e após o convívio entre os amigos, fiquei a sós com o meu par e, descíamos a caminho da esplanada do Parque, quando ouvimos o mais bonito chilrear de um passarinho transportado numa brisa leve, fresca e muito
agradável. Era um sinal. Sem dúvida um convite. Não resistimos e apesar de algum receio e muita timidez, lá nos sentámos. E foi em boa hora pois vieram mais passarinhos e até passarinhas, uma brisa e outras brisas e nós lá nos fomos descobrindo embriagados naquele belo concerto que por encanto foi em rigoroso exclusivo já que ninguém mais passou por ali.E aquele ficou, para sempre, o nosso banco !

Com o passar dos anos e graças à grande fertilidade dos solos da Quinta do Maçorim já descoberta pelos Frades dos Capuchus no Séc.XVII, outros bancos ganharam grande preponderância e procura pelos diversos públicos alvo.

Em 1968/69 descobri o meu último banco do Parque. Era o último banco localizado no caminho do Liceu no enfiamento do ringue de patinagem. Tinha um arbusto que dava uma bonita sombra e, apesar de estar próximo do ringue, era muito discreto e possibilitava grandes momentos de descontracção. Só tinha um contra. Em vez do chilrear dos passarinhos ouviam-se as conversas e os palavrões dos miúdos que praticavam o hóquei em patins no ringue de patinagem. Limitação que fomos superando com alguma tranquilidade.

E assim fomos saudavelmente felizes nos bancos do Parque da Cidade !

porep

Alberto Rosário também foi muito feliz no Parque

Jorge Marques também foi muito feliz no Parque

Foto Camões da Foto Germano

publicado por porViseu às 01:40
Domingo, 03 DE Junho DE 2012

O Parque (IV)

O Parque da Cidade nasceu em terrenos oriundos da “Quinta de Maçorim”, uma quinta medieval, e da Cerca do Convento de Santo António dos Capuchus ali instalados desde 1635, onde os frades plantaram centenas de pés de carvalho e castanheiros.

Eram terrenos muito férteis com espécies vegetais únicas e árvores muito frondosas.

O Convento de Santo António dos Capuchos saiu daquele local em 1834 passando o espaço a ser gerido pela Câmara de Viseu até 1845, data em que passou a pertencer ao Quartel de Infantaria 14 que ali ficou instalado até 1951.

Em 10/7/1951 o Quartel foi transferido para o local onde hoje se encontra na entrada Sul da cidade , sendo as velhas instalações demolidas para permitirem a abertura da Avenida Salazar, hoje Av.25 de Abril.

 

Enquanto as obras não arrancaram o terreno foi utilizado com vários fins: Parque de estacionamento, campo de futebol e alguns eventos dos quais um dos mais marcantes na época foi um espectáculo circense de um grupo Húngaro, realizado totalmente ao ar livre, com trapézios e equilibristas a trabalharem sem rede nas alturas com mastros de madeira muito altos. A cidade em peso assistiu aos vários espectáculos que impressionavam pela altura em que eram realizados, ao frio, vento e chuva, com grande mestria e facilidade, na zona onde veio a ser construído o Hotel Grão Vasco, inaugurado em 1964.
Entretanto foi rasgada a Avenida Salazar atravessando os terrenos do Quartel e separando a área hoje ocupada pelo Hotel Grão Vasco e a área do Parque da Cidade onde ainda se destaca a igreja barroca da Ordem Terceira de São Francisco – a Igreja dos Terceiros. Ao tempo e ao lado desta existia a Capela da Nossa Senhora das Vitórias que foi transferia pedra sobre pedra para o interior do Parque, onde ainda se encontra.

O Parque da Cidade foi desenhado pelo Arquitecto Viana Barreto em 1955.

Era um Parque muito bonito e muito frequentado por grande parte dos alunos e professores do Liceu, considerado o pulmão da cidade e dotado de vários e agradáveis caminhos de terra batida.

Três caminhos acompanhavam as Avenidas Salazar, Av. do Liceu e Rua Miguel Bombarda formando um U invertido. Um destes caminhos acompanhava paralelamente a Avenida Salazar subindo dos Terceiros passando pelo ringue de patinagem até à proximidade da Av. Do Liceu, virava à direita e continuava numa paralela ao Liceu até ao pequeno lago circular fronteiro às escadarias da entrada virada ao Liceu. Depois este caminho continuava paralelo ao Liceu terminando próximo da entrada ao enfiamento da Rua do Sabugueiro, rua lareral ao Liceu, ao lado do Café Infante. Aqui passava descer lateralmente numa paralela à Rua Miguel Bombarda, até à saída do Parque junto ao Rossio entre o Tribunal e os Terceiros. Estes caminhos laterais do Parque eram atravessados por uma larga diagonal que partia da entrada junto ao arranha céus e tinha uma saída na Rua Miguel Bombarda no enfiamento da Rua Cândido Reis.
   

O Parque tinha uma agradável esplanada no verão junto ao pequeno lago dos cisnes, e o seu ringue de patinagem era muito concorrido nos anos 60’s, época de ouro do hóquei em patins em que Portugal discutia anualmente os títulos Europeus ou Mundiais.

 

Mas a história dos primeiros 50 anos do Parque da cidade foi sendo escrita nos seus famosos bancos de jardim espalhados pelos seus diversos caminhos.

  

Lembra-se do seu ?

 

Com a colaboração de Almiro de Oliveira.


 

Fontes:

FOTO GERMANO Escola Alves Martins Wikipédia,

porep

   
publicado por porViseu às 07:50
Terça-feira, 20 DE Julho DE 2004

O PARQUE - das memórias aos sentidos

Parque006.JPGNaqueles anos 60, o Parque não era um jardim qualquer, em qualquer lugar, era assim como que uma floresta mágica dos adolescentes do meu tempo, uma espécie de altar de uma iniciação, onde os nossos sentidos começavam a despertar. Primeiro, num toque de mão leve e colorido como as penas dos pavões, depois num abraço branco, tão branco como a cor dos cisnes que se passeavam orgulhosamente no lago e depois num beijo prolongado na boca, que fazia tremer os sinos dos Terceiros e acordavam a bicharada toda à volta com tanta vibração.Era vê-los...primeiro de mãos dadas, com os corpos a um bom metro de distância, no dia seguinte já vinham abraçados e no outro já faziam magia naqueles bancos que se moldavam ao corpo.O Parque era um outro lugar de aprendizagem, que rivalizava com as aulas, o lugar das emoções mais verdes que o verde de todas aquelas árvores.É isso mesmo ! o Parque era o santuário dos cinco sentidos, lembro-me muito bem...era bom de olhar nas suas cores, que variavam ao longo do ano entre o verde, o amarelo, o avermelhado, o castanho...mas depois tinha um cheiro, um perfume que se confundia com os amores da nossa juventude...sabia bem, tinha o sabor dos beijos mais ou menos inocentes...e tinha a música dos pássaros, dos patos, do vento e da chuva nas árvores, mas também os passos apressados dos guardas que nos queriam apanhar em flagrante...mas de que crime ? Mas o Parque, está também nos nossos dedos e na nossa pele...toca-nos num arrepio doce da memória !O Parque do Liceu, como lhe chamava-mos, não está só nas nossas recordações...mexe muito com todos nós...às vezes ainda me sinto lá e cresce-me a água na boca ! ParqueIV.jpgpor Jorge Marques

publicado por porViseu às 23:22

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