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Quarta-feira, 01 DE Maio DE 2013

SARAU da MOCIDADE PORTUGUESA, 1964

 

 

Esta fotografia retrata uma cena do Sarau da Mocidade Portuguesa no dia 30 de Novembro de 1964.

 

Ao tempo a Mocidade Portuguesa - uma Organização Nacional que pretendia abranger toda a juventude “ atribuia-se, como fins, estimular o desenvolvimento integral da sua capacidade física, a formação do carácter e a devoção à Pátria, no sentimento da ordem, no gosto da disciplina, no culto dos deveres morais, cívicos e militares”. Era de frequência obrigatória para todos os alunos do ensino oficial. O seu dia grande era o 1º Dezembro com desfiles militares pela cidade. Na véspera, a 30 de Novembro, realizava-se um Sarau que reunia os alunos do Liceu Nacional de Viseu, hoje Escola Secundária Alves Martins e os alunos da Escola Comercial e Industrial de Viseu, hoje Escola Secundária Emídio Navarro. Era um Sarau cultural com récitas, coros, Teatro e algumas variedades, realizava-se no Ginásio do Liceu, espaço que se prestava para este género de espectáculos, além dos desportivos e da sua prática, formando uma plateia com um corredor a meio e dois laterais e uma galeria em anfiteatro que cobria a zona da entrada no Ginásio, frontal ao Palco.

 

Após a avalanche da música italiana e francesa, davam-se em Viseu os primeiros passos da Pop Music anglo saxónica com Cliff Richard e The Shadows na liderança, ouvia-se muito o Elvis, Pat Boone, Trini Lopez, despontava o Otis Redding e chegavam os primeiros acordes dos Beatles e outros conjuntos europeus. E apareceram as primeiras tentativas POP em Viseu materializadas nos conjuntos Os Tubarões e Os Corsários.

 

Na foto podemos ver (e-d) Luis Dutra (viola baixo dos Tubarões), Carlos Assunção (viola ritmo dos Corsários), Quim Guimarães (viola solo dos Diamantes) e Eduardo Pinto (baterista dos Tubarões) a interpretarem o ROUND and ROUND êxito dos The SHADOWS que muitos conjuntos usavam como música de abertura

Note-se que o Luis Dutra tenta fazer o baixo tocando numa viola eléctrica normal de 6 cordas. Trata-se de uma viola Egmond comprada na Casa Ruvina(Porto) por 1.500$00 (os Tubarões); O Carlos Assunção toca com uma Hofner dos Tubarões e o Quim Guimarães toca numa viola EKO com 4 microfones, muito popular na época e com muito bons agudos, propriedade do Carlos Assunção.

                             
     EGMOND                                             HOFNER                                             EKO
 
O sistema de som era fornecido pelo Sr. Carlos da óptica Órbita, da Rua da Vitória mesmo em frente ao Café Vitória. O Sr. Carlos tinha a paixão pelas actividades sonoras e, para além da sua excelência como técnico de óptica, dedicava-se a fazer o som da Feira de S. Mateus e dos variados eventos que precisavam de amplificação. No Palco podem ver-se duas colunas de som mas não se vê nenhum amplificador pois este, um Geloso a válvulas, que tanto aquecia que se dizia poder estrelar ovos, estava fora de cena do lado esquerdo. Os cabos das violas eram muito curtos obrigando os três violas a ficarem todos juntos em cena do lado esquerdo do palco. A ligação das violas ao amplificador era feita através de uma ficha especial redonda com 5 pinos que dava cabo da cabeça a todos os músicos obrigando-os a andar com o ferro de soldar sempre à mão.
                                                        Amplificador Geloso
 
Ainda na foto, entre o Quim Guimarães e a bateria está um microfone que serviu para o José Merino, vocalista de Os Tubarões, entrar e encantar com a sua interpretação da música MY BONNIE êxito do TONY SHERIDAN. que o Zé tanto gostava de cantar, e à qual se seguiram outras interpretações como o YA YA   um dos primeiros êxitos dos Beatles.
O Sarau foi brilhantemente apresentado pelo nosso colega de Liceu Jorge Gonçalves que, apesar do seu perfeccionismo militante, veio a atingir o maior sucesso noutros Palcos.

 

 porep

 

P.S: Agradecemos a colaboração de Aires de Matos, Carlos Assunção, Luis Cunha Matos e Fernando Correia.

 

publicado por porViseu às 01:52
Sábado, 07 DE Julho DE 2012

Músicos de Viseu - ULISSES SACRAMENTO

Orfeão de Viseu

 

  Nas décadas de 1950/60 o Orfeão de Viseu tinha uma grande actividade cultural promovendo o Canto, Teatro, Poesia e Variedades.

  Eram famosos os concertos dados pelo Orfeão de Viseu que se deslocava a várias localidade das regiões Centro e Norte do País.

  


Teatro no Orfeão de Viseu, 1950.

  Ulisses Sacramento, viseense de gema, iniciou as suas lides artísticas no Orfeão de Viseu na representação teatral e também no canto, actividade ao tempo orientada pelo Maestro Mário Costa. Ulisses Sacramento salientava-se quer na representação quer no canto e, com o seu grande à vontade, contagiava com a sua boa disposição e laracha todos os que o rodeavam.

  

Os Companheiros da Alegria

 

  Em 1951 a organização da Volta a Portugal desafia Igrejas Caeiro a organizar um espectáculo em cada localidade onde a Volta a Portugal chegava. Igrejas Caeiro aceitou o desafio e iniciou um projecto cultural de cariz popular muito inovador com o nome de “Os Companheiros da Alegria”.

  Começou por ser um espectáculo de variedades de música ligeira com variados concursos que em cada um dos espectáculos procuravam envolver os
locais tornando o espectáculo interactivo. E em simultâneo com o espectáculo Igrejas Caeiro lançou também um programa diário de rádio transmitido pelo Rádio Clube Português.

  “Os Companheiros da Alegria” tiveram um grande sucesso e formaram-se enquanto Companhia de Teatro, que mesmo após a Volta a Portugal, não parava com


Ulisses Sacramento, 1951.

 


Os Companheiros da Alegria, 1953.

os espectáculos por todo o País.

  Um grande sucesso nacional que com o passar do tempo enriqueceu o seu formato de espectáculo com a inclusão de rubricas de Teatro, Revista e Opereta, atraindo também os maiores nomes artísticos nacionais da época.

  Os espectáculos integravam variados tipos de concursos, alguns dos quais destinados a descobrir novos Artistas como “Tem um minuto para mostrar o que vale”. Na primeira vez que a Volta passou por Viseu com “Os Companheiros da Alegria”, Ulisses Sacramento foi desafiado por amigos a ir até ao Avenida Teatro assistir e participar nesse concurso. E a sua prestação foi tão eloquente que foi contratado por Igrejas Caeiro para integrar de imediato o elenco dos “Companheiros da Alegria”.

  Ulisses Fernando, seu novo nome artístico, iniciou assim uma carreira profissional nos Companheiros da Alegria com a sua primeira actuação oficial no Cine Teatro da Guarda. Com a sua voz romântica de timbre muito harmonioso e bonito especializou-se na chansonnette francesa, tipo de música que dominava os êxitos da época, com grandes nomes do Musicall Francês como Edith Piaf, Maurice Chevalier, Charles Trenet, Gilbert Bécaud, entre outros.

  E foram vários os sucessos interpretados por Ulisses Fernando como Bell Ami, Douce France, Bolero, Mademoiselle de Paris e Pigalle.

 

Ulisses Fernando (Sacramento) com Igrejas Caeiro e outros Artistas dos Companheiros da Alegria.

 

  Ulisses Fernando Sacramento fez a sua carreira profissional como elemento efectivo dos Companheiros da Alegria onde fez Teatro, Revista e Opereta, cantou e encantou com as suas interpretações e ouviu muitos aplausos dos quais o que mais o marcaram foi uma das suas actuações no S.Luis onde foi ovacionado de pé por todo o público.

 

  Em 1954 Igrejas Caeiro instala “Os Companheiros da Alegria” no Teatro da Trindade em Lisboa.

  Com todos os espectáculos esgotados recebe uma nota da Inspecção Geral dos Espectáculos proibindo a continuação da sua actividade teatral. Segundo informações da época este facto deveu-se a uma entrevista de Igrejas Caeiro em que este Artista afirmava que “Nehru era o maior estadista daquela geração”.

  Vivia-se em pleno a época salazarista e uma declaração destas era perturbadora para um regime que apreciava pouco tanto sucesso não controlável daquele grupo independente. E assim aproveitou este facto para encerrar as actividades da Companhia levando todos os seus Artistas para o desemprego. Ulisses Fernando foi assim apanhado nesta proibição que também o impediu de ir cumprir um excelente contrato para uma digressão acordada para Angola.

 

  Ulisses Fernando regressou de novo a Viseu onde acabou por integrar como vocalista a Orquestra Cine Jazz dirigida pela Maestro Mário Costa vivendo alguns momentos de glória uma vez que além de cantor era um grande entertainer e apresentador que animava todas as festas da Região.

 

 

Actuação da Orquestra Cine Jazz com Mário Costa ao piano, Ulisses Sacramento vocalista, Carlinhos da Sé na bateria, António Correia no violino, Chaves no saxofone e Manuel Pires no rabecão.

Ulisses Sacramento em palco.

  Ulisses Fernando Sacramento, Artista ilustre de Viseu, tem hoje 89 anos e vive na sua cidade mais longe do nosso Rossio de que tanto gosta e do qual tem muitas saudades.

porep com a devida vénia de porViseu!

 

Com a colaboração de Teresa Merino e Celso Albergaria;

Apoio: FOTO GERMANO

publicado por porViseu às 02:46
Sexta-feira, 25 DE Maio DE 2012

MÚSICOS de VISEU - Orquestra CINE JAZZ

Orquestra Cine Jazz, Viseu (1942 - 1961)

 

Foto de 1942. Legenda (esq-dir.): António Correia - violino, Francisco (Chico Alfaiate) - bateria, Desconhecido - banjo, Desconhecida - piano, Patrocínio - trompete, Irineu Amaral - saxofone e Chaves - saxofone.
 
A Orquestra Cine Jazz de Viseu terá sido constituída nos anos 40's em Viseu, data da fotografia, e durante 20 anos foi um marco na música ligeira da cidade.
 
As suas actuações ocorriam no Orfeão de Viseu, no Café Rossio, na Feira de S. Mateus quer acompanhando os Artistas que ali actuavam no Palco principal quer animando os Bailes dos Bombeiros Voluntários às 4ªas e sábados, as Festas e Romarias por todo o Norte de Portugal, e apoiando os espectáculos no grandioso Avenida Teatro.
 
Na época Viseu tinha uma das melhores casas de espectáculo do País onde todos os grandes Artistas Nacionais desejavam actuar. Era o Avenida Teatro que fazia par com o Teatro Nacional de S.Carlos. Situado na Avenida Emídio Navarro o Avenida Teatro tinha sido inaugurado em 1921, com 2.000 lugares, 1.500 lâmpadas eléctricas, 2 Plateias, Geral, dois andares de Camarotes e ainda um Jardim exterior. Era uma Casa de Espectáculos de grande prestígio onde se realizavam os melhores espectáculos do País, quer de Teatro quer música ligeira. Por ali passaram as mais prestigiadas Companhias de Teatro Nacionais, foram transmitidos em directo vários espectáculos de Variedades como os Serões para Trabalhadores da Emissora Nacional, Os Companheiros da Alegria onde actuou o ilustre e romântico cantor Viseense Ulisses Sacramento, os espectáculos da Volta a Portugal, as grandes Revistas à Portuguesa tão populares na época.
 
A partir de 1947, ano em que o Maestro Mário Costa chegou à cidade, toda a animação cultural musical sofreu um grande impulso, sendo a Orquestra Cine Jazz um dos motores dessa dinamização. O Maestro Mário Costa terá iniciado as suas actuações a solo no Café Rossio aos fins de semana. O seu irrequieto e saudável modo de estar aliado com a sua dinâmica natural cedo começou a movimentar a vertente musical da cidade, assumiu a liderança da Orquestra Cine Jazz a qual começou a enfrentar novos desafios profissionais como a acompanhar grandes artistas nacionais.
 
 
Orquestra Cine Jazz no Avenida Teatro acompanhando a Maria de Fátima Bravo(esq) e Maria Amélia Canossa, anos 50's. A Orquestra, dirigida pelo Maestro Mário Costa, ao piano, com António Correia no violino, Patrício no trompete, Chaves ao saxofone, Manuel Pires ao rabecão e Martins na bateria.
 
 
Maestro Mário Costa acompanha Luis Piçarra e numa pausa descontraída com Henrique Mendes.
 
 
Actuação da Orquestra Cine Jazz, (+-1960), Festas dos Santos Populares no Académico de Viseu com (esq.dir): Carlinhos da Sé o vocalista, Patrocínio no trompete, Martins na bateria, Chaves no saxofone, Desconhecido no rabecão, António Correia no violino e Maestro Mário Costa ao piano.
 

 

Ano 1960/61, Clube de Viseu, talvez a última formação da Orquestra Cine Jazz com a entrada de novos e jovens músicos (esq.dir.): Gualter no rabecão, Quim Guimarães na viola eléctrica, Martins na bateria, António Correia no violino, Fausto no acordeão e Maestro Mário Costa no piano.

  

Gualter, Quim Guimaães e Fausto, com o Carlinhos da Sé formaram a seguir Os Diamantes.

   

Agradecemos o apoio de Camilo Costa, Celso Soares Albergaria e João Correia dos Santos. Fotos do livro porViseu'60s e arquivo Foto Germano.

   

publicado por porViseu às 02:16

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