O Parque (IV)

O Parque da Cidade nasceu em terrenos oriundos da “Quinta de Maçorim”, uma quinta medieval, e da Cerca do Convento de Santo António dos Capuchus ali instalados desde 1635, onde os frades plantaram centenas de pés de carvalho e castanheiros.

Eram terrenos muito férteis com espécies vegetais únicas e árvores muito frondosas.

O Convento de Santo António dos Capuchos saiu daquele local em 1834 passando o espaço a ser gerido pela Câmara de Viseu até 1845, data em que passou a pertencer ao Quartel de Infantaria 14 que ali ficou instalado até 1951.

Em 10/7/1951 o Quartel foi transferido para o local onde hoje se encontra na entrada Sul da cidade , sendo as velhas instalações demolidas para permitirem a abertura da Avenida Salazar, hoje Av.25 de Abril.

 

Enquanto as obras não arrancaram o terreno foi utilizado com vários fins: Parque de estacionamento, campo de futebol e alguns eventos dos quais um dos mais marcantes na época foi um espectáculo circense de um grupo Húngaro, realizado totalmente ao ar livre, com trapézios e equilibristas a trabalharem sem rede nas alturas com mastros de madeira muito altos. A cidade em peso assistiu aos vários espectáculos que impressionavam pela altura em que eram realizados, ao frio, vento e chuva, com grande mestria e facilidade, na zona onde veio a ser construído o Hotel Grão Vasco, inaugurado em 1964.
Entretanto foi rasgada a Avenida Salazar atravessando os terrenos do Quartel e separando a área hoje ocupada pelo Hotel Grão Vasco e a área do Parque da Cidade onde ainda se destaca a igreja barroca da Ordem Terceira de São Francisco – a Igreja dos Terceiros. Ao tempo e ao lado desta existia a Capela da Nossa Senhora das Vitórias que foi transferia pedra sobre pedra para o interior do Parque, onde ainda se encontra.

O Parque da Cidade foi desenhado pelo Arquitecto Viana Barreto em 1955.

Era um Parque muito bonito e muito frequentado por grande parte dos alunos e professores do Liceu, considerado o pulmão da cidade e dotado de vários e agradáveis caminhos de terra batida.

Três caminhos acompanhavam as Avenidas Salazar, Av. do Liceu e Rua Miguel Bombarda formando um U invertido. Um destes caminhos acompanhava paralelamente a Avenida Salazar subindo dos Terceiros passando pelo ringue de patinagem até à proximidade da Av. Do Liceu, virava à direita e continuava numa paralela ao Liceu até ao pequeno lago circular fronteiro às escadarias da entrada virada ao Liceu. Depois este caminho continuava paralelo ao Liceu terminando próximo da entrada ao enfiamento da Rua do Sabugueiro, rua lareral ao Liceu, ao lado do Café Infante. Aqui passava descer lateralmente numa paralela à Rua Miguel Bombarda, até à saída do Parque junto ao Rossio entre o Tribunal e os Terceiros. Estes caminhos laterais do Parque eram atravessados por uma larga diagonal que partia da entrada junto ao arranha céus e tinha uma saída na Rua Miguel Bombarda no enfiamento da Rua Cândido Reis.
   

O Parque tinha uma agradável esplanada no verão junto ao pequeno lago dos cisnes, e o seu ringue de patinagem era muito concorrido nos anos 60’s, época de ouro do hóquei em patins em que Portugal discutia anualmente os títulos Europeus ou Mundiais.

 

Mas a história dos primeiros 50 anos do Parque da cidade foi sendo escrita nos seus famosos bancos de jardim espalhados pelos seus diversos caminhos.

  

Lembra-se do seu ?

 

Com a colaboração de Almiro de Oliveira.


 

Fontes:

FOTO GERMANO Escola Alves Martins Wikipédia,

porep

   
publicado por porViseu às 07:50