SARAU da MOCIDADE PORTUGUESA, 1964

 

 

Esta fotografia retrata uma cena do Sarau da Mocidade Portuguesa no dia 30 de Novembro de 1964.

 

Ao tempo a Mocidade Portuguesa - uma Organização Nacional que pretendia abranger toda a juventude “ atribuia-se, como fins, estimular o desenvolvimento integral da sua capacidade física, a formação do carácter e a devoção à Pátria, no sentimento da ordem, no gosto da disciplina, no culto dos deveres morais, cívicos e militares”. Era de frequência obrigatória para todos os alunos do ensino oficial. O seu dia grande era o 1º Dezembro com desfiles militares pela cidade. Na véspera, a 30 de Novembro, realizava-se um Sarau que reunia os alunos do Liceu Nacional de Viseu, hoje Escola Secundária Alves Martins e os alunos da Escola Comercial e Industrial de Viseu, hoje Escola Secundária Emídio Navarro. Era um Sarau cultural com récitas, coros, Teatro e algumas variedades, realizava-se no Ginásio do Liceu, espaço que se prestava para este género de espectáculos, além dos desportivos e da sua prática, formando uma plateia com um corredor a meio e dois laterais e uma galeria em anfiteatro que cobria a zona da entrada no Ginásio, frontal ao Palco.

 

Após a avalanche da música italiana e francesa, davam-se em Viseu os primeiros passos da Pop Music anglo saxónica com Cliff Richard e The Shadows na liderança, ouvia-se muito o Elvis, Pat Boone, Trini Lopez, despontava o Otis Redding e chegavam os primeiros acordes dos Beatles e outros conjuntos europeus. E apareceram as primeiras tentativas POP em Viseu materializadas nos conjuntos Os Tubarões e Os Corsários.

 

Na foto podemos ver (e-d) Luis Dutra (viola baixo dos Tubarões), Carlos Assunção (viola ritmo dos Corsários), Quim Guimarães (viola solo dos Diamantes) e Eduardo Pinto (baterista dos Tubarões) a interpretarem o ROUND and ROUND êxito dos The SHADOWS que muitos conjuntos usavam como música de abertura

Note-se que o Luis Dutra tenta fazer o baixo tocando numa viola eléctrica normal de 6 cordas. Trata-se de uma viola Egmond comprada na Casa Ruvina(Porto) por 1.500$00 (os Tubarões); O Carlos Assunção toca com uma Hofner dos Tubarões e o Quim Guimarães toca numa viola EKO com 4 microfones, muito popular na época e com muito bons agudos, propriedade do Carlos Assunção.

                             
     EGMOND                                             HOFNER                                             EKO
 
O sistema de som era fornecido pelo Sr. Carlos da óptica Órbita, da Rua da Vitória mesmo em frente ao Café Vitória. O Sr. Carlos tinha a paixão pelas actividades sonoras e, para além da sua excelência como técnico de óptica, dedicava-se a fazer o som da Feira de S. Mateus e dos variados eventos que precisavam de amplificação. No Palco podem ver-se duas colunas de som mas não se vê nenhum amplificador pois este, um Geloso a válvulas, que tanto aquecia que se dizia poder estrelar ovos, estava fora de cena do lado esquerdo. Os cabos das violas eram muito curtos obrigando os três violas a ficarem todos juntos em cena do lado esquerdo do palco. A ligação das violas ao amplificador era feita através de uma ficha especial redonda com 5 pinos que dava cabo da cabeça a todos os músicos obrigando-os a andar com o ferro de soldar sempre à mão.
                                                        Amplificador Geloso
 
Ainda na foto, entre o Quim Guimarães e a bateria está um microfone que serviu para o José Merino, vocalista de Os Tubarões, entrar e encantar com a sua interpretação da música MY BONNIE êxito do TONY SHERIDAN. que o Zé tanto gostava de cantar, e à qual se seguiram outras interpretações como o YA YA   um dos primeiros êxitos dos Beatles.
O Sarau foi brilhantemente apresentado pelo nosso colega de Liceu Jorge Gonçalves que, apesar do seu perfeccionismo militante, veio a atingir o maior sucesso noutros Palcos.

 

 porep

 

P.S: Agradecemos a colaboração de Aires de Matos, Carlos Assunção, Luis Cunha Matos e Fernando Correia.

 

publicado por porViseu às 01:52