Viseu - Postais Ilustrados

Juntei calos a meus calos

Aos que a enxada me criou

Juntei trabalho a trabalhos

Heranças do meu Avô

Passei por terras de trigo

Andei dormindo no chão

Engaijei-me – corri p’rigo

Foi comigo meu irmão

Dois primos, minha mulher

Fui pr’á lá das Braganças

Das Salamancas, das Franças

À sorte que deus me der !

 

Deitei telha no telhado

Já não chove no colchão

Tenho volante na mão

Tenho cheque, tenho mala

Assobradei minha sala

O que ganhei ‘stá ganhado

Está num Banco de Lisboa

Ando a par da cotação

Toda a vida a comer broa

Agora já como pão!

 

Trago cheque, trago mala

Sapato e meia no pé

Fui p’ra longe mourejar

Tenho luz na minha sala

E casa de chaminé

Minha vida é trabalhar

Desde a idade de criança

Nosso filho é estudante

Pai e mãe nunca estudou

O trabalho é minha herança……………………………….

 

Vesti fato de emigrante

Agora – sou o que sou!

 

...RICARDO SANDRO, Abril de 72 In Revista Ilustrada 1973

publicado por porViseu às 23:59