Opinião

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Alberto do Rosário

O Comando de todos os descontentamentos

Nasci no concelho de S. Pedro do Sul.Para benefício da minha cabeça, eternamente agradecida, ainda não havia televisão.À noite as famílias e os amigos ainda não tinham sido transformados em pastores alemães - com o maior respeito por esta raça de cães, que adoro - todos sentados, ou deitados, com esbugalhados olhos de admiração, fixados e sem descolar, na caixinha com imagem e som.A televisão mudou a Aldeia, adormeceu a Cidade, abrasileirou o País. Cativou e deslumbrou os espectadores. Agarrou definitivamente os jovens. Mas, o “écran” mágico já não vai tão formoso e bem seguro, pois o “Zapping” transformou a televisão numa sequência de imagens imparável, desconexa, alucinante e sem qualquer possibilidade de alguém entender qualquer coisa que seja. Odeio o “Zapping”. Odeio o “Zapping” porque gosto da força da comunicação da generalidade dos “spots” televisivos e nunca mos deixam ver. Aumenta o ódio quando está no ar uma campanha que me interessa especialmente e nunca consigo ver os anúncios. Odeio o “Zapping”porque alterou o mando em casa; A autoridade já não está com quem ganha o dinheirinho ou se senta no topo da mesa, mas em quem controla o comando. A televisão, o comando e o “Zapping” criam e provocam relações e cedências bizarras.Tenho razão?! Ou já são os meus 150 anos que não me permitem entender tal revolução comunicacional? Ou tudo estará bem quando a televisão copiar o”one to one”? O “one to televisão” deixará cada um com a sua caixinha mágica e um comando a ser manuseado freneticamente até que o sono chegue. De manhã o sonâmbulo volta ao trabalho e à noite volta ao “Zapping” e é a felicidade máxima. Para completar: VIVA O SPORTING!
publicado por porViseu às 13:50