O PARQUE - das memórias aos sentidos

Parque006.JPGNaqueles anos 60, o Parque não era um jardim qualquer, em qualquer lugar, era assim como que uma floresta mágica dos adolescentes do meu tempo, uma espécie de altar de uma iniciação, onde os nossos sentidos começavam a despertar. Primeiro, num toque de mão leve e colorido como as penas dos pavões, depois num abraço branco, tão branco como a cor dos cisnes que se passeavam orgulhosamente no lago e depois num beijo prolongado na boca, que fazia tremer os sinos dos Terceiros e acordavam a bicharada toda à volta com tanta vibração.Era vê-los...primeiro de mãos dadas, com os corpos a um bom metro de distância, no dia seguinte já vinham abraçados e no outro já faziam magia naqueles bancos que se moldavam ao corpo.O Parque era um outro lugar de aprendizagem, que rivalizava com as aulas, o lugar das emoções mais verdes que o verde de todas aquelas árvores.É isso mesmo ! o Parque era o santuário dos cinco sentidos, lembro-me muito bem...era bom de olhar nas suas cores, que variavam ao longo do ano entre o verde, o amarelo, o avermelhado, o castanho...mas depois tinha um cheiro, um perfume que se confundia com os amores da nossa juventude...sabia bem, tinha o sabor dos beijos mais ou menos inocentes...e tinha a música dos pássaros, dos patos, do vento e da chuva nas árvores, mas também os passos apressados dos guardas que nos queriam apanhar em flagrante...mas de que crime ? Mas o Parque, está também nos nossos dedos e na nossa pele...toca-nos num arrepio doce da memória !O Parque do Liceu, como lhe chamava-mos, não está só nas nossas recordações...mexe muito com todos nós...às vezes ainda me sinto lá e cresce-me a água na boca ! ParqueIV.jpgpor Jorge Marques

publicado por porViseu às 23:22